Acidentes servem de alerta para precauções nos esportes radicais‏

Acompanhamento profissional é primordial para a segurança na hora de praticar esportes radicais

No último dia 28 de janeiro, a ex-ginasta Laís Souza sofreu um grave acidente enquanto praticava esqui livre logo após treino para uma possível classificação para as Olimpíadas de Inverno, em Sochi, na Rússia. De acordo com a assessoria de imprensa da Comissão Brasileira, a atleta colidiu com um galho de uma árvore que a atingiu no pescoço, gerando uma grave torção na coluna. Foi prontamente internada no Hospital da Universidade de Utah, sendo imediatamente submetida a uma cirurgia para realinhar a coluna cervical.

A atleta vem tendo uma boa recuperação e se mantém consciente, acompanha alguns comandos, contudo não tem movimentos nas pernas e braços, além de respirar com o auxílio de ventilação mecânica. Apesar desses fatores, ela possui um forte controle emocional para lidar com a situação, mesmo que esse tipo de lesão a mantenha numa cadeira de rodas.

Para o neurocirurgião e especialista em doenças da coluna da Universidade Federal de São Paulo, Vinícius Benites, as sequelas neste tipo de lesão são inevitáveis. “A lesão pode provocar dois problemas: o choque medular e a lesão medular. No choque, há um atordoamento das fibras nervosas e a pessoa perde os movimentos. Mas, em geral, em 24 horas eles retornam. Na lesão isso não acontece”, explica.

O cuidado é fundamental

Para quem não tem um conhecimento e experiência na prática de esportes radicais, a falta de supervisão adequada é realmente muito perigoso, sendo ideal que se tenha um acompanhamento de um profissional devidamente preparado para cada modalidade esportiva. Sem essa preocupação a mais com a segurança, o risco de algo dar errado é muito maior, o que pode resultar em acidentes graves como o caso da ex-ginasta.

Na opinião do Dr. Ricardo Cordeiro, ortopedista da Cotef, clínica especializada em ortopedia e traumatologia em Itabuna, é importante frisar a necessidade da utilização dos equipamentos de proteção, que são específicos e diferentes para cada modalidade esportiva. “O melhor recurso para prevenção das lesões seria o treinamento específico através do condicionamento físico específico dos movimentos e treinamento técnico. Para o cidadão comum, é fundamental conhecer suas limitações. É só pensar que no caso dos atletas eles treinam repetidamente cada movimento à exaustão e com suporte de segurança pela equipe”, destaca Ricardo.

Uma vez havendo suspeita de lesão ao nível de coluna vertebral, o especialista ressalta a intervenção de profissionais aptos a esse tipo de atendimento (paramédicos ou médicos) para realização das manobras de imobilização dentro das técnicas. “Recomendo em caso de acidentes chamar o serviço de emergência ou o SAMU. Deve-se sempre evitar movimentos bruscos na tentativa de acordar o acidentado ou manipulá-lo, além de realizar proteção para a região cervical e lombar, por serem essas regiões mais móveis”, diz Ricardo.

Acidentes como o da ex-ginasta servem para exemplificar as precauções que todos os praticantes de esportes mais perigosos devem ter. Por menor que seja o descuido, muita coisa é colocada em risco e esses acidentes podem causar desde traumas leves até lesões muito mais graves.

Em caso de acidentes desse tipo, o tratamento deve ser realizado por especialistas em coluna vertebral, que podem ser ortopedistas com essa especialidade ou neurologistas, de preferência em ambiente hospitalar. “Na COTEF, damos o suporte na realização de exames radiológicos, imobilização adequada e orientação médica ao paciente e familiares”, finaliza o Dr. Ricardo.

MSV

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